Quais os principais desafios do blockchain para 2019?

Especialistas do mercado financeiro classificam tecnologia como pronta, mas listam barreiras que ainda devem ser superadas

Blockchain definitivamente é um dos hypes do mundo da tecnologia – dividindo espaço nas famosas listas de tendências com outros termos como inteligência artificialmachine learning e analytics. Após pegar “carona” na popularização das moedas digitais, sobretudo do bitcoin – o qual o blockchain funciona como “base” -, a tecnologia tem cruzado fronteiras e está chegando a diversas áreas de negócios.

Um dos setores pioneiros no uso do blockhain é o mercado financeiro. No Brasil, por exemplo, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) criou há dois anos um grupo de trabalho para o tema, que conta com colaboração de todos os grandes bancos brasileiros.

Durante o Ciab Febraban, principal evento do setor financeiro no País, realizado em junho deste ano, o grupo apresentou o primeiro protótipo com uso da tecnologia, desenvolvido de forma colaborativa por instituições financeiras. O projeto em questão usa blockchain para compartilhar informações de segurança sobre dispositivos móveis usados por clientes nas relações com bancos. Com esses dados, bancos conseguem enriquecer seus sistemas antifraude para determinar se um dispositivo específico não é confiável, por exemplo.

O que vem pela frente?

RTM, provedora de serviços para integração do mercado financeiro, promoveu na última quarta-feira (7/11) a terceira edição da Conferência Blockchain, em São Paulo (SP),  para debater cenário, aplicações e futuro da tecnologia.

Guilherme Horn, diretor de inovação da Accenture – empresa que, segundo o executivo, já roda mais de 200 provas de conceito ligadas a blockchain -, liderou um debate com quatro especialistas do setor. Horn, que participou das últimas duas edições do evento, lembrou que, em 2016, o debate sobre desafios era sobretudo com relação à necessidade de consenso e colaboração entre todos os players que pretendiam utilizar plataformas de blockchain. No ano passado, um tema muito abordado foi a tecnologia em si. E agora, qual o principal desafio em 2018, já projetando o que vem pela frente em 2019?

Minha empresa realmente precisa de blockchain?

Jochen Mielke de Lima, diretor de TI da B3 – Brasil, Bolsa, Balcão(combinação entre a BM&FBOVESPA e a Cetip), dividiu os desafios em duas vertentes. O primeiro deles, em negócios, será entender se o blockchain é a tecnologia ideal para determinado projeto. “Para que vamos usar isso? Não seria uma forma mais cara de fazer o que já fazemos hoje? Estamos resolvendo problema que efetivamente existe”, indagou o executivo, citando algumas perguntas que executivos devem fazer a si mesmo antes de pensar em adotar blockchain. “O primeiro desafio é não fazer algo só por fazer. É estudar e fazer uma avaliação aprofundada sobre custos.”

George Marcel Smetana, especialista de pesquisa e inovação do Bradesco, foi categórico – em linha com o raciocínio de Lima: “Blockchain não é solução para tudo”, resumiu, ressaltando a necessidade de um entendimento minucioso sobre a ferramenta antes de colocar projetos em prática.

Blockchain para negócios

Do ponto de vista tecnológico, Lima acredita que o blockchain já atingiu maturidade para sair do “nicho” de áreas de inovação (ligadas à TI) e de fato entrar nas discussões de negócios.

“Começaremos a ter discussões mais profissionais. O blockchain vai sair da nuvem de fumaça para passar a entender de que forma pode ajudar os negócios. A mensagem para 2019 é: começar a sair um pouco da garagem e entrar na sala de estar. O blockchain vai entrar no hall de tecnologias corporativas para ser possibilidade no portfólio (das empresas)”, completou Lima.

Colaboração

Marcelo Yared, chefe do departamento de tecnologia do Banco Central do Brasil, acredita que a tecnologia já passou da fase de entendimento para o momento de aplicação de modelos produtivos.

Mas, para que ela realmente cumpra os benefícios que promete, os envolvidos no processo devem se atentar a um requisito essencial: colaboração.

“Sem colaboração não vejo possibilidade de expansão. Esse é o maior desafio para 2019: conseguir a colaboração efetiva para fazer o modelo avançar. Se será um padrão, um protocolo, ou dois, isso não é relevante. A tecnologia vai decidir, mas o processo colaborativo é um só”, afirmou Yared.

Mudança de mentalidade

Cassio Damasceno, gerente de negócios da CIP – associação civil sem fins lucrativos que integra o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) -, assim como os outro especialistas, acredita que a tecnologia está “bastante resolvida”. Mas o desafio, para ele, é a mudança de mindset.

“As pessoas, especialmente de negócios, ainda olham (para projetos) e falam: vamos fazer tudo centralizado que é mais fácil”, disparou. “Quem desenha o produto ainda não consegue imaginar aquilo que está por trás (do blockchain)”, adicionou.

Ele ressaltou que o blockchain não será a bala de prata para resolver todos os problemas do mundo, mas tem potencial para ajudar em muitos quesitos. “É preciso criar mindset e mão de obra”, finalizou.

Modelo probabilístico

Luiz Jeronymo, diretor de soluções para clientes na R3 – empresa de software que desenvolveu uma plataforma de blockchain voltada a negócios (o projeto Corda) -, destacou a capacidade da sua equipe para manter a plataforma atualizada e ressaltou um diferencial: a aposta em modelo determinístico.

“Uma das preocupações que os bancos tinham era que grande parte desses métodos (de transações financeiras) não são determinísticos, são probabilísticos. Você faz a transação, ela é confirmada em sete minutos, mas ainda precisa aguardar uma hora para checar se não terá rollback. Isso para o mercado financeiro é inaceitável.”

A aposta da plataforma open source criada pela R3 – que conta com apoio de nomes como B3, Itaú e Bradesco no Brasil – é no tripé “privacidade, segurança e smart contracts”. “Construímos uma plataforma customizada para o mundo corporativa e feita para atender suas necessidades. Na rede, os participantes são conhecidos e, portanto, permissionados”, concluiu.

 

Disponível em: https://computerworld.com.br/2018/11/08/quais-os-principais-desafios-do-blockchain-para-2019/

Estudo aponta novos riscos de cibersegurança associados às criptomoedas

Relatório da McAfee alerta para a necessidade de tratar a segurança como um das maiores prioridades até em relação à adoção do Blockchain

A demanda pela tecnologia de Blockchain continua crescendo em todo o mundo entre alguns dos setores mais tradicionais, incluindo os setores governamental, financeiro, automotivo, de varejo e de serviços de saúde. Na realidade, praticamente todos os setores já investiram, adquiriram ou implementaram o Blockchain de alguma maneira. Porém, ainda que o mercado da tecnologia de Blockchain esteja previsto para chegar aos US$ 9,6 bilhões até 2024,, a McAfee prevê um imenso potencial de riscos de cibersegurança que podem ameaçar o crescimento acelerado dessa tecnologia revolucionária e sua comunidade de adeptos em rápido crescimento. Especialmente em relação às criptomoedas, área em que a tecnologia de Blockchain vem sendo mais implementada e utilizada em grande escala por milhões de pessoas.

Um estudo recente realizado pela empresa descobriu que os criminosos vêm utilizando táticas audaciosas para aproveitar-se da rápida adoção das criptomoedas e daqueles que já estão começando a utilizá-las. A McAfee detectou essas atividades em quatro principais vetores de ataque: esquemas de phishing ou fraude, malware, exploração de implementações e vulnerabilidades da tecnologia. Muitos ataques nessas categorias empregam técnicas novas e antigas de crime cibernético e têm sido lucrativos para os criminosos cibernéticos.

O relatório da McAfee detalha um golpe de phishing em que um criminoso cibernético criou um falso serviço de “carteira” de criptomoedas. Depois de coletar dados de autenticação dos usuários do serviço ao longo de seis meses, os criminosos roubaram US$ 4 milhões das contas dos clientes lesados.

Pesquisadores da empresa apresentam exemplos de como a proliferação das criptomoedas beneficiou os criminosos cibernéticos que utilizam malware. A explosão do ransomware nos últimos anos foi operacionalmente possível em grande parte devido ao uso das criptomoedas, que ocultam a identidade dos criminosos cibernéticos nas transferências dos pagamentos de resgate.

Foram registradas também tendências de aumento no número de mineradores mal-intencionados e nos casos de “cryptojacking” (apropriação de computadores para minerar criptomoedas), o que, segundo o relatório, cria um novo vetor de infecções (por meio de malwares) e de monetização (por meio da mineração).

Outra pesquisa recente do McAfee Labs sobre essa categoria de crime cibernético revelou que o número total de malwares de mineração de moedas teve um crescimento surpreendente de 629% no primeiro trimestre de 2018, aumentando de aproximadamente 400 mil amostras no quarto trimestre de 2017 para mais de 2,9 milhões de amostras no primeiro trimestre deste ano.

Por fim, os próprios mercados de criptomoedas sofreram ataques, sugerindo que as medidas de cibersegurança devem ser uma prioridade no desenvolvimento das tecnologias de Blockchain e dos principais processos de operação e implementação dos quais elas dependem. No início deste ano, o Coincheck, um dos mercados mais populares do Japão, perdeu US$ 532 milhões, prejudicando 260 mil investidores. Os pesquisadores da McAfee ressaltam que pode haver prejuízos financeiros quando as empresas priorizam a rapidez da implementação das tecnologias de blockchain em detrimento das medidas de cibersegurança adequadas.

“Como muitas outras dessas novas tecnologias sofisticadas, o Blockchain pode ter um impacto revolucionário para ajudar na resolução de problemas comerciais concretos, desde que a segurança não seja atropelada pela pressa de adotar a tecnologia”, afirma Raj Samani, cientista-chefe da McAfee.

Em virtude da grande capacidade de agregar valor do Blockchain e do enorme entusiasmo para implementá-lo, a McAfee acredita que os criminosos cibernéticos buscarão todas as oportunidades possíveis para aproveitar-se de todas as vulnerabilidades técnicas e humanas nesse novo ecossistema de Blockchain.

“As entidades governamentais, os fornecedores de cibersegurança e as empresas devem tomar as medidas necessárias para entender as ameaças e minimizar os riscos. Sem a conscientização adequada dos usuários e do setor, práticas recomendadas de implementação segura e sólidas normas de segurança técnica, a ampla adoção do Blockchain por parte das indústrias e dos governos pode terminar gerando prejuízos de bilhões de dólares e prejudicando milhões de pessoas”, alerta o executivo.

Disponível em: http://cio.com.br/noticias/2018/06/25/estudo-aponta-novos-riscos-de-ciberseguranca-associados-as-criptomoedas/